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Skate - Especial - Entrevista - (08/07/2007)

Composição de imagens Gazeta Press

Perfil
Foto Marcelo Ferrelli
Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press
Nome: Robert Dean Silva Burnquist
Apelido: Bob Burnquist
Data de Nascimento: 10/10/76
Natural: Rio de Janeiro - RJ
Residência: San Diego -Califórnia (EUA)
Principais conquistas: tricampeão dos X-games e prêmio Laureous World Sports 2002

Nascido no Rio de Janeiro em 1976, criado em São Paulo até os 18 anos e vivendo atualmente em San Diego, EUA, Robert Dean Silva Burnquist é um cara universal. Sua incrível habilidade no skate o levou a competições no mundo inteiro, muitas das quais saiu consagrado campeão, como o X-Games. Mas nunca se esqueçam, principalmente os gringos, de que Bob é brasileiro. Afinal, não há nada mais nacional do que um Silva.

Filho da artista plástica mineira Dora Silva e do engenheiro americano Dean Burnquist, Bob ganhou seu primeiro skate aos 11 anos, aos 13 estreou em competições e em 1995 já era campeão do Slam City Jam, campeonato do Circuito WCS realizado no Canadá. Daí para frente, suas manobras só melhoraram e o skatista logo se tornou o melhor do mundo na modalidade Vertical.

Hoje, no auge de seus 30 anos, Bob acumula títulos, capas de revista, projetos e muitos fãs. Em visita ao Brasil para o lançamento do novo filme da Oakley, o Our Life, Bob aproveitou para matar a saudade de São Paulo. 

Em uma tarde de autógrafos na loja Overboard, enquanto a imprensa aguardava para entrevistá-lo, uma fila de jovens – entre eles alguns fãns da velha guarda – esperavam sua vez para pegar um autógrafo, tirar uma foto e, quem sabe, dar um abraço no mito do skate mundial. Entre um fã e outro, aproveitamos para descobrir seus planos.

Gazeta Adventure: No ano passado você lançou o filme The Reality of Bob Burnquist. Já deu para sentir algum resultado?
Bob Burnquist: Rolou muita coisa, esse filme foi um projeto de um ano e meio da minha vida que eu curti bastante. Primeiro foi produzido em inglês, depois passei para o português e tenho tido uma resposta legal, a galera tem curtido. Estou feliz por ter finalizado o projeto e poder passar para outro.

GA:
No filme você disse que uma das coisas mais emocionantes da sua vida foi ter levado a tocha olímpica. Você gostaria de ver o skate como um esporte olímpico?
BB: Na verdade não, eu acho que o skate não tem nada a ver com as Olimpíadas. Eu prefiro que ele mantenha do jeito que é, com sua própria identidade. As Olimpíadas precisam mais do skate do que o skate precisa das Olimpíadas. É uma parada que é da nova geração. Quem sabe um dia quando as coisas estiverem mais organizadas.

GA: Você é um cara que colaborou muito para o desenvolvimento do skate no Brasil, é considerado embaixador do esporte lá fora. Como você vê o esporte no país hoje?
BB: Cresceu muito, teve a aceitação da grande mídia, da sociedade. Quando eu comecei a andar, pedi um skate para o meu pai e ele me deu porque ele é um cara legal, mas tive amigos que não ganharam porque os pais diziam que era coisa de maloqueiro e que eles tinham que estudar. Você pode estudar e andar de skate. Hoje a criançada tem boas referências, que seja eu, o Sandro (Dias), ou a galera que está trabalhando para o esporte. Fora os videogames, os campeonatos que aparecem na mídia, o que na minha época era raro. É um empurrão até para o mercado. Já tem três gerações de skatistas que vivem do esporte e só cresce o número de praticantes.

GA: Você teve dificuldade com os seus pais quando decidiu que iria viver do skate?
BB: Minha mãe me deixava andar de skate contanto que eu fizesse o meu papel na escola. Se eu não estudasse, ela tirava o skate de mim, e eu tinha que entrar na linha. Quando chegou a época de fazer a faculdade, meu pai me pressionou. Pedi um ano para tentar ser skatista nos EUA. As coisas foram dando certo, eu estava tendo a oportunidade de conhecer o mundo e fazendo o que eu gosto. Meu pai sempre gostou de música, mas abriu mão de ser músico para estudar e trabalhar. Acho que também por causa disso meus pais viram que eu tinha uma oportunidade, me apoiaram e me apóiam até hoje.

GA: Se não fosse o skate, que carreira você seguiria?
BB: Eu faria algo ligado à aviação. Minha faculdade foi meu BREVE de piloto, porque eu tive que estudar muito. Eu continuaria na área, faria uma engenharia mecânica. Sempre gostei de arquitetura também, e hoje desenho e construo várias pistas, então acabo fazendo a arquitetura das pistas de skate.

GA: Você não pensa em fazer uma faculdade agora?
BB: Não. Existem muitas formas de aprender sem ser a faculdade. A internet mesmo é uma delas, tem os cursos on-line. Com a minha rotina, não dá para ficar preso. Por isso que para mim foi bom tirar o BREVE, eu fazia vários cursos pela internet e só ia fazer as provas. E eu quero seguir mais adiante nesse lance de aviação, quero pegar minha licença de instrumentos. Conforme as oportunidades forem pintando, eu vou correr atrás.

GA: Quais seus projetos para sua empresa de produtos orgânicos, a Burnquist Organics?
BB: Assim que mudei para o sítio onde moro, tive a idéia de fazer uma plantação orgânica para o restaurante que eu tinha na época. Quando percebi que rolava um lance de consumidor consciente, pensei em ir para outros ramos. Conversei com a empresa Hurley para ver se podíamos entrar com uma linha limitada com conceitos de sustentabilidade, ecologicamente correto, material reciclado. A idéia é lançar alguma coisa com consciência e preço acessível. Já lançamos algumas camisetas com algodão orgânico aqui no Brasil e lá fora. Começamos devagar, mas a idéia não é parar só em roupas.

GA: Você já tem a sua empresa, seus projetos, está planejando um futuro. Acredita que fica mais quanto tempo no skate?
BB: Eu vejo, pelo menos, mais dez anos de skate profissional, e o resto da minha vida em cima do skate, se possível. Eu viso o futuro porque a gente sabe que nada dura para sempre.

GA: Você vai competir o circuito de skate esse ano?
BB: Se minha agenda deixar, e o campeonato estiver rolando e eu estiver com vontade eu vou, senão não. Sem problemas.

GA: Se tem alguém que viajou o mundo competindo, foi você. Tem algum país que você não conhece e gostaria de conhecer?
BB: Tem. Eu não conheço a Rússia, acabei de conhecer a China, que é demais. E tem alguns lugares da Europa. Eu tenho um problema com a Europa que é o cigarro. Eles fazem os campeonatos em lugares fechados e todo mundo fuma. 

GA: Essa seleção rigorosa que você sempre fez de patrocinadores e campeonatos que vai participar, de acordo com seus princípios, alguma vez te prejudicou de alguma forma?
BB: Não, pelo contrário, me ajudou.  Até porque não se pode fazer tudo. De uma série de 20 campeonatos eu não preciso correr todos. E meu patrocínio não está preocupado só com os campeonatos, mas se estou na mídia, fazendo vídeos, batendo fotos, saindo nas revistas. Às vezes um filme é muito mais produtivo do que ganhar um campeonato. Não que não seja legal, claro que é, mas eu não consigo ficar batendo sempre na mesma tecla. Se tem um campeonato que eu quero ir, se tenho tempo e vale a pena, eu vou. Principalmente se é aqui no Brasil eu acabo cedendo, mas tem tanta coisa na minha cabeça agora que não vai ser qualquer campeonato que eu vou participar.

Nova geração

GA: Você vê algum nome no skate brasileiro para suceder você e o Sandro Dias (Mineirinho)?
BB: Existe cada vez mais skatistas e com uma motivação muito maior do que antes. Hoje, o cara que começa a andar aqui no Brasil não vai falar: nossa, estou tão longe de conseguir alguma coisa. Pô, os caras conseguiram, foram lá, conquistaram. Isso faz com que cresça a competitividade. Tem uma galera que está andando muito bem, como por exemplo, o Rodrigo Maisena, o Diego de Oliveira, eu achei o skate dos dois muito técnico. Eu fiquei impressionado, principalmente com o do Maisena.

GA: E da Karen Jones, o que você tem a dizer? O primeiro ano que correu já foi campeã.
BB: Sendo campeã ou não, não é necessariamente uma coisa que te leva ao sucesso. Não significa que vai conseguir patrocínio, viajar o mundo. Principalmente o skate feminino, que tem um certo apoio, mas não é tão desenvolvido quanto o masculino. Eu gosto de falar que skate é skate, não tem essa de masculino e feminino, skate é para todo mundo. O exemplo da Karen, ela realmente anda muito de skate e com certeza incentivou muitas meninas não só no Brasil, mas como no mundo. E tem tudo para continuar se dando bem.

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