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Montagem |
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MUDANÇA DE CENÁRIO |
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O local foi escolhido com muito cuidado, buscando atender todas as necessidades das modalidades envolvidas, impondo obstáculos naturais e equilibrando o esforço físico e psicológico dos atletas. “Buscamos um lugar que a cada 100 quilômetros muda totalmente o cenário. Essa mudança de solo, de biodiversidade, é muito importante para o atleta ter um relaxamento emocional, e a prova fica muito mais bonita”, disse Said Neto.
A corrida pelo Nordeste passara por Lençóis Maranhenses, Delta do Parnaíba, interior do Ceará, a linda Jericoacoara e até um trecho de serra. “Você sai de um lugar que tem um resíduo de Mata Atlântica para entrar em um deserto de dunas, depois vai para um agreste, para uma caatinga, e volta para focos de Mata Atlântica. É incrível, você está remando e vê macaco nos mangues, mil tipos de aves e peixes”, contou o responsável pela escolha do local. |
O Percurso
O percurso do primeiro Campeonato Mundial em solo brasileiro foi feito para ser superado por todos, desde os melhores do mundo até os atletas locais que terão a chance de conhecer um evento deste âmbito. Por não saber como os participantes irão reagir a condições de sol forte, calor extremo, vento e maré contra, o percurso inicial diminuiu bastante. A princípio eram 700 quilômetros, que depois de uma análise climática viraram 550, na próxima análise subiu para 580 e nesta última lapidação, dias antes da prova, fechou com 530 quilômetros.
Na última viagem que fez para rever o trajeto da prova, o organizador Said Neto precisou fazer algumas mudanças. Uma perna de bicicleta de 35 quilômetros ficou inviável porque parou de chover e o que era piso duro, secou tanto que virou areia, impossível de pedalar. “Não vou fazer um ‘empurra bike’ deste tamanho, não quero que me xinguem, então cortei esse trecho”, brincou. “Eu não acho que a prova está dura, está mediana. Pra mim, o calor e o vento são uma incógnita, então eu aliviei a prova porque sei que vão sofrer com o clima”.
Para poupar os atletas e forçar a estratégia, foram determinadas alguma regras, como o “stop and go” que obriga todas as equipes a pararem por seis horas durante a prova. E não pode parar em qualquer lugar, apenas onde está marcado no mapa. “Ninguém fica cinco dias sem dormir, então marcamos lugares estratégicos onde eles podem descansar. A maré está contra, o vento forte, o jeito é pagar duas horas de sono. Isso vai aumentar o número de planejamentos, o raciocínio lógico, porque a inteligência tem que ser superior a força física”, decretou Said.
Para pedalar e caminhar a 40º na sombra, remar em uma saboneteira (tipo de embarcação que será usada) com vento de 20 milhas no rosto e correnteza contra, é preciso mesmo muita estratégia. O diretor da prova conta que o percurso tem seus pulos, e quem souber olhar bem o mapa, pode se dar melhor. “Uma portagem de 800 metros pode poupar cinco quilômetros de remada”, exemplifica.