| Fernando Pilatos/Gazeta Press |
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Darryl Franklin: "Você nunca viu nada parecido em termos de espetáculo visual". |
Neste fim de semana, o Brasil pôde assistir mais uma vez às incríveis habilidades de skatistas e bikers que enfrentam a mega rampa, pista de 27 metros de altura e 105 de extensão. O evento, realizado no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, recebeu quase 20 mil pessoas e foi visto por milhões através da mídia. O nome por trás desta enorme produção é Darryl Franklin, diretor e co-fundador da Mega Rampa Entertainment - MRE, que detém os direitos da estrutura no mundo.
Desde 2003, Darryl organiza eventos com a pista gigante desenvolvida pelo skatista norte-americano Danny Way. A nova modalidade, chamada de Big Air, foi introduzida nos X Games em 2004. Depois dos Estados Unidos, foi a vez do Brasil receber a mega pela primeira vez em 2008. Neste ano, em 31 de outubro, ela chega à Austrália em um grande evento de música e esporte em Melbourne.
Esta evolução mostra o potencial da mega rampa e a competência da MRE em produzir um grande show. Em entrevista à Gazeta Adventure, Darryl Franklin falou sobre a sua “galinha dos ovos de ouro”.
Gazeta Adventure: Você é o responsável por levar a mega rampa para o mundo. Como está essa evolução?
Derryl Franklin: Este ano, além de Estados Unidos e Brasil, estamos chegando na Austrália. No ano que vem, vamos para a Inglaterra, Alemanha e Japão. É muito difícil fazer um evento com a mega porque requer um grande suporte e produção da cidade aonde vamos. O planejamento leva de um a dois anos, envolve muita gente e muito trabalho para fazer acontecer.
GA: Quanto custa um evento destes?
DF: Depende, se for interno ou externo, se tiver música. No mínimo, vai custar 1,5 milhão de dólares. Só a construção da rampa custa meio milhão. O primeiro ano é sempre mais caro, depois barateia. O Brasil, por exemplo, já tem todo o material da estrutura. Mas são sempre alguns milhões.
GA: Também precisa de muito espaço.
DF: O espaço é um grande problema. É um desafio encontrar um lugar bom para a mega. Nos Estados Unidos, é feito em um ginásio. Interno é melhor do que fazer no tempo (disse, apontando o dia nublado de São Paulo), e cabe mais gente.
GA: Vocês vão atrás dos lugares para levar a mega rampa, ou eles vêm procurar por vocês?
DF: É uma combinação. Crescemos bastante nos últimos anos, e estar nos X Games ajudou muito. Fazemos isso há seis anos, demora para evoluir. No Brasil é um sucesso, colocamos na televisão e isso chama todo o resto.
GA: O que você considera ser o maior atrativo da mega?
DF: Quando você assiste a mega rampa na televisão, é legal. Mas quando você vê ao vivo e sente aquela emoção, vê alguém como Bob (Burnquist) ou Anthony (Napolitan, do BMX), você nunca viu nada parecido em termos de espetáculo visual. A mega traz atletas espetaculares que impressionam qualquer um: você, a sua mãe, a sua avó, todo mundo.
GA: O que achou da resposta do Brasil para o evento?
DF: Nós voltamos por causa de todas essas pessoas que assistem, pelo apoio da cidade. Escolhemos bem onde vamos gastar nosso dinheiro, tem muitos lugares interessados. Aqui a produção é boa, temos um grande suporte, todos pensam em fazer isso crescer. Nós vamos crescer cada vez mais, estamos trazendo o progresso do esporte, com atletas bem jovens.
GA: O Brasil também tem muitos atletas dispostos a participar do evento, o que não deve ser fácil de encontrar.
DF: Tem dez brasileiros aqui, o que leva o país para o topo do skate mundial. Se você é fã de skate, sabe que o Brasil tem muitos atletas incríveis, presentes no mundo todo. Vejo o quanto o skate é importante, respeitado e compreendido aqui. O Brasil já é muito forte no futebol, na Fórmula 1, e esse é mais um esporte que lidera. Você vê o Pedro (Barros) com 14 anos fazendo isso, é demais.
GA: Como vocês fazem o evento em um lugar que não oferece atletas para andar?
DF: Só precisamos do espaço e levamos todo o resto, a estrutura, os atletas, a competição, a mídia.
GA: Existe o projeto de uma mega rampa fixa para desenvolver a modalidade?
DF: Nos Estados Unidos, existe um campo de treinamento para esportes de ação, o Camp Woodward. Para o ano que vem, vamos construir ali uma mega rampa para treino. Tem muitas crianças querendo andar, então desenvolvemos uma mini mega rampa, que ainda é grande. Em vez de 70 pés, são 30. As crianças de 13, 14 ou 15 anos podem aprender, desenvolver suas habilidade para depois andar na original. Isso vai explodir o número de praticantes.
GA: Você já pensou em trazer uma mini mega rampa para São Paulo?
DF: Sim, mas estamos falando em trazer uma para o evento do ano que vem, mostrar na mídia e encontrar as próximas estrelas da mega. A final dos garotos pode ser na mega rampa original, ou podemos levar o vencedor para os X Games. Isso serve para o skate e o BMX. As crianças vêem isso e querem fazer, é inspirador.
GA: Isso quer dizer que a MRE veio ao Brasil para ficar?
DF: Eu espero que sim, nós queremos vir todo ano. Enquanto for possível, estaremos aqui.